novembro 07, 2003

Uma família de máquinas de Turing


Este blog está organizado por ordem cronológica directa: esta entrada é a primeira, as seguintes para baixo são mais recentes. Nesse sentido, este blog é o irmão gémeo-inverso de outra Turing Machine alojada em http://turing-machine.blogspot.com
Como pode acontecer a quaisquer gémeos, para já são muito parecidos, mas nada garante que no futuro isso continue assim. Quem pode ditar o que dois seres independentes farão pela vida fora, ao crescer? Contudo, por muito independentes que eles sejam, sempre sofrerão certas influências do meio ambiente. Neste blog, como na vida, não é de momento muito evidente como isso acontecerá. O tempo dirá. A única pista de que disponho deste momento é esta dupla gestão da cronologia: um par de gémeos, em que um cresce para a frente e outro cresce para trás.
A coluna vertebral deste blog será a história da Máquina de Turing - mas será uma história à minha maneira. Isto é: com o tempo perceber-se-á porque quero contar essa história, e que "moral" vou dela retirar. Mas isso será a seu tempo. Entretanto, a história vai partir-se por vários caminhos diferentes, alguns deles meros atalhos, outros talvez becos sem saída.
A técnica não me ajudará muito, porque ela me falta. Deixo tudo nas mãos do engenho? Que perigo inconsiderado, que risco desmedido, que irresponsabilidade.
Publicado por Porfírio Silva em 07:24 PM | Comentários (1)

POUSIO


Como dizia a Professora T.A., "pousio". Para pensar, é preciso dar pousio. Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, pousio é "período geralmente de um ano em que as terras são deixadas sem semeadura, para repousarem". O resultado é que as terras voltam, depois disso, a uma maior força produtiva. Quando se deixa de querer remeter para o cultivo da terra, a referência ao ritmo anual deixa de ser importante. O pousio pode ter outros tempos. Mas permanece necessário.
Entretanto, no mesmo (magnífico) dicionário, a entrada seguinte é "pouso", que pode ser, por exemplo, "lugar onde uma ave descansa de voar". Diria que o pousio pode ser o pouso de quem pensa. Para voar com outro rumo.
Pode um blogue dar a pensar? O pousio o dirá. Quanto a este blogue, isso quer dizer: devagar, um(a) (a)post(a) de cada vez. De vez em quando. Dar pousio aos elementos que rolam pelos dias ao sabor das razões e das emoções, da diversidade que falta à máquina.
O problema desta explicação é ela ser apenas "racional", dando a aparência de ser desinteressada (a lógica serve-se fria?).
A outra explicação, mais interesseira, talvez seja, então, o "ritmo biológico". Pegando, por exemplo, em O Polegar do Panda - Reflexões sobre História Natural, de Stephen Jay Gould (versão portuguesa na Gradiva), lemos que ele nos diz(ia) que o tempo biológico dos animais se distingue do tempo newtoniano. Nos mamíferos, por exemplo, todos respiram uma vez por cada quatro batimentos cardíacos - mas os mamíferos pequenos respiram e batem os seus corações mais depressa do que os grandes mamíferos. A taxa metabólica também aumenta com o aumento do peso do corpo. Também o cérebro. "Medidos pelos seus relógios internos, os mamíferos de diferentes tamanhos tendem a viver a mesma quantidade de tempo. É um hábito profundamente entranhado no pensamento ocidental que nos impede de conceber este importante e reconfortante conceito. Somos treinados desde muito novos para encarar o tempo absoluto newtoniano como único estalão válido de medida num mundo racional e objectivo." (p. 338)
Gould, falando-nos dos "tempos de vida que nos couberam em sorte", relacionando tamanho com tempo, dá-nos uma pista: porque não viver como um grande animal? Por que não "postar" apenas semana a semana, aumentando o nosso tempo de vida (talvez cheguemos a ser tão velhos como a baleia ou o elefante). Claro que os animais mais pequenos são mais irrequietos, dão mais cor à praça. Paciência. Se os blogues apelam a que sejamos autores, usemos os truques do ritmo biológico para sermos autores do nosso tamanho.
É claro: é preciso reconhecer que esta é a via segura para o anonimato...

Publicado por Porfírio Silva em 11:31 PM | Comentários (0)

novembro 16, 2003

Uma teoria da blogosfera?


Está uma interessante reflexão sobre a blogosfera em (o vento lá fora). Mas eu, que sou novo nisto, fico a pensar. Em qualquer roda de amigos, há sempre os que gostam mais de falar do que ouvir e os que gostam mais de ouvir do que falar. Os que gostam mais de falar são normalmente mais populares. Em qualquer roda de amigos, há sempre os que têm opiniões firmes sobre qualquer assunto que venha à baila e os que muitas vezes estão mais a tentar perceber do que a tentar opinar. Os que têm sempre uma sentença a ditar, são tidos por mais "afirmativos". Em qualquer parlatório, há sempre os que puxam para acentuar as diferenças e os que preferem procurar sobreposições. E assim por diante... porque o mesmo se passa na blogosfera. Parece que alguns se escandalizam com a ignorância técnica de outros. E daí? Eu até gostaria de melhorias, a começar pelo meu blog - mas tenho mais que fazer, não tenho tempo para isso, essa é a verdade. E mais: não considero isso essencial. Um dos debatentes diz que certos blogs podiam ser escritos em Word. Pois podiam: até os Lusíadas podiam ser escritos em Word, o problema é que eu tenho Word mas não tenho unhas para escrever os Lusíadas. Na blogosfera, como em qualquer lado, há os falam aos berros e os que falam baixinho. Há os que falam sobre qualquer coisa e com quem quer que seja: é como aquelas velhinhas que nos apanham sózinhos nos comboios e não se calam até ao Porto. Há quem goste, mas eu não. Há os que teorizam que é preciso postar todos os dias, mas isso a mim não me diz nada: se escrever todos os dias, ou deixo de trabalhar ou só escrevo porcarias. Gabo a diligência dos que não têm as minhas limitações. O que não me sinto é obrigado a ser como os outros. E não percebo muito bem certas ideias de fixar o que é "bem" e o que é "mal" na blogosfera. Ou a ideia é fazer uma moralidade blogosférica? Só me faltava essa. E há mais: parece que há gente demais a querer ser imediatamente identificada como sendo "de esquerda", "de direita", disto ou daquilo. Eu não ando nessa. O que eu quero dizer não se diz em três semanas. Não vim para aqui para lançar muitos foguetes e ir-me embora a correr. Eu tenho qualquer coisa para dizer, mas não o posso dizer como se isto fosse um comício. Por isso vou com calma. Se puser a ligação do blog XPTO no meu blog, assim sem mais nem menos, fico conotado. E farto de rótulos já eu estou. Para conhecer os outros também preciso de tempo. Não sou dos que pensem que lêem um post e já toparam a pinta do seu autor. Pode-se comentar aquilo que se passa sem falar no nome de ninguém: pode é ser mais difícil de compreender. Em suma, porque o desabafo já vai longo demais: abaixo as teorias explicativas da blogosfera, vivam as teorias (e as práticas) da diversidade! Abaixo a moda da hiperactividade, viva a liberdade de escolher a hiperactividade, a inactividade, a contemplação ou qualquer outra posição que se deseje! (Mesmo que seja de cócoras?!?!) Boa noite.
Publicado por Porfírio Silva em 05:13 AM | Comentários (0)

novembro 23, 2003

As palavras e as fotos. Dedicado aos foto-blogs.

Dedico esta citação aos blogs cuja "linha geral" é apresentada principalmente em fotografias (cujo exemplo mais notório, pelo menos para os meus parcos conhecimentos, é xupacabras).

Escreve Susan Sontag, em Olhando o Sofrimento dos Outros (Gótica): «Quer a fotografia seja vista como um objecto ingénuo ou como o trabalho de um artífice experimentado, o seu significado - e a resposta de quem vê - depende do modo como a fotografia é identificada ou falseada; ou seja, depende das palavras.» (p.36)

Publicado por Porfírio Silva em 10:46 PM | Comentários (2)

novembro 28, 2003

A próxima semana...

Várias coisas vão acontecer na próxima semana aqui neste blog.
(1) Publicar um novo apontamento da série "História da máquina de Turing": desta vez, depois de apresentado o conceito de base, avança-se com as noções de "máquina determinista" e "máquina não determinista".
(2) "Encerrar" o debate sobre "O Erro de Damásio?", procurando tomar em consideração as observações que foram feitas.
(3) Iniciar uma mini-novela gráfica. O Rui C. fez desenhos, eu escrevo um texto que os "ilustra". Sim, um texto a ilustrar desenhos, pois então (o reverso da medalha: pode acontecer que o texto obscureça os desenhos).
E depois há sempre, claro, os imponderáveis.
Ah! já me esquecia: desculpem aqueles que pensam que na blogosfera só se pode improvisar e navegar ao sabor das ondas. Devem ficar escaldados com esta tirada de anunciar o programa da próxima semana. Mas é que eu sempre disse que vinha aqui para contar uma determinada história. E que tudo isto é uma experiência dentro dessa mesma história. E esse rumo não se perde de vista. Trata-se, é claro, apenas e só... de contar a história da máquina de Turing!

Publicado por Porfírio Silva em 11:08 AM | Comentários (0)

"Filosofia da blogosfera": o melhor post

Daniel Oliveira escreve em barnabé, num post intitulado O passeio da fama, o seguinte, a propósito do novíssimo blogue Causa Nossa: "Não gosto do conceito de juntar pessoas famosas para fazer um blogue. Porque esse conceito não evidencia outro critério que não o do golpe publicitário." Lamento. Lamento. Lamento infinitamente. Lá estamos nós outra vez a fazer teorias da blogosfera. Teorias formais da blogosfera, mais precisamente. Será muito difícil de compreender que o que interessa num blogue não são coisas dessas, como quantos são os autores, quais são os autores, qual a quantidade de fama dos autores, quantas vezes publicam por dia, etc.,etc., etc... ? Que o que interessa é "o que poderão eles dizer de novo", num país tiranizado pelo politicamente correcto?
Vejam a Embaixadora Ana Gomes, por exemplo. Tem-se fartado de dizer, sem assombro, verdades como punhos. Mas, como não as diz com punhos de renda, com a hipocrisia dominante, toca a criticar-lhe o estilo. E parece que os primeiros escandalizados são alguns socialistas. Coitados, são tão distraídos! Estamos a atolar-nos na ditadura do novo proletariado (os espectadores da M.M.Guedes) e ainda pensamos que a melhor coisa a fazer é contemporizar. E, no entanto, Ana Gomes faz, logo na sua primeira intervenção no Causa Nossa, um apontamento, intitulado Sérgio, que julgo ser um dos melhores posts portugueses de "filosofia da blogosfera". A ideia, nas palavras dela, tem a seguinte raíz: "Sérgio Manuel Pinto Moutinho. Ele não saberia o que é um blog. Eu até há muito pouco tempo também não sabia, mas logo que me explicaram percebi que o conceito era o mesmo que ele, há vinte anos, tinha inventado, embora nessa altura a gente nunca tivesse tocado num computador, nem sonhasse que passaria a depender deles." Leiam, por favor. A ver se percebemos a blogosfera com olhos de ver e não com palas mito-tecno-lógicas nos olhos.
Publicado por Porfírio Silva em 02:39 PM | Comentários (0)

dezembro 09, 2003

Fazer implodir este blogue...

Andou aqui, durante algum tempo, um debate sobre a obra de António Damásio, centrado no seu livro mais recente. O pretexto foi um texto meu, publicado em linha num sítio de respeito (a Crítica). Depois de vários contributos para esse debate, senti-me no dever (e no prazer) de dar o meu ponto de vista sobre o que tinha sido dito. Isso resultou numa entrada, que publiquei aqui no blogue, no passado dia 5.Dez - e que é monstruosa: perto de 3.000 palavras e quase 16.000 caracteres (sem espaços). Manter um debate deste tipo, com esta duração, que ainda por cima acaba com uma entrada deste tamanho: isto assim ainda é um blogue? Quando acabei de escrever essa entrada, pensei que não podia publicar aquilo assim. Podia talvez publicar por partes - mas os diferentes aspectos estavam relacionados. Não podia não publicar. Decidi avançar. Quem chegue ao blogue e dê de caras com "aquilo", certamente foge logo, não é?
Será que a única forma de sair disto é o que um "colega bloguista" fez há tempos: pedir que imprimam o texto para o lerem? Mas isto fará sentido? Um blogue de papel? Um blogue impresso às fatias?
Outro aspecto curioso deste processo é que há pessoas, mesmo entre as que participaram no debate, que de modo nenhum são blogonautas, nem sequer grandes internautas. E certas coisas, para não nos encerrarmos nas fronteiras da tecnologia, têm que ser pensadas para os não-iniciados que não queremos que sejam excluídos deste meio. Isso significa que a "plataforma" pode ter efeitos de exclusão - e que é necessário pensar na forma de fazer as coisas para que isso não se verifique. E que isso talvez signifique subalternizar a plataforma. E talvez isso seja uma questão interessante para a blogosfera: como é que ela se mistura com a vida que anda aí fora?
Penso que estas questões são interessantes para quem por aqui anda. (Eu disse "interessantes", não disse "novas" e muito menos "inovadoras".)

Publicado por Porfírio Silva em 10:20 AM | Comentários (0)

dezembro 10, 2003

Uma metamorfose que se aconselha

Como é que eu gostaria que fosse a blogosfera? Perguntas a sério? Passa por a-metamorfose e lê uma entrada sobre uma história pouco provável . "Isso" é que eu gostava que fosse a blogosfera. Mas é mais como se não houvesse modo nenhum de sair dos caminhos habituais. Salvo raros golpes de asa de borboleta nos antípodas. Olhando para os comentários que suscitou essa entrada, também eu dou por mim a desejar que tenha sido verdade. Dê por onde der.
Publicado por Porfírio Silva em 10:11 PM | Comentários (1)

dezembro 12, 2003

Tempos e ritmos na blogosfera

Um aspecto curioso da blogosfera é que os ritmos são relativos. Vou tentar dizer isto de forma ordenada. Ponto 1. Nem todos os "habitantes" o são do mesmo modo, nem todos usam a mesma frequência, uns escrevem e/ou lêem várias vezes ao dia, outros quando calha. Ponto 2. Cada "habitante" segue certos "temas", "ondas", "eventos", "polémicas" - pode até apenas seguir certos e determinados "outros habitantes". Ponto 3. Do ponto de vista de quem "persegue": se aqueles com quem dialogamos falam N vezes por dia, temos de os ler N vezes por dia, sob pena de perdermos o fio à meada. A não ser que o ritmo seja indiferente: mas então estaremos menos distantes de sites vulgares e menos próximos de certos ideais de weblog. Ponto 4. Mas há outro ponto de vista possível. Se nos interessa o diálogo com quem quer conversa cinco vez por dia, para alimentarmos o diálogo temos de falar cinco vezes por dia - sob pena de caírmos fora da troca. Ao contrário: se nos interessa "este comércio de ideias" com quem só lê uma vez por semana, estaremos a saturar a linha de comunicação se escrevermos cinco vezes por dia. Quando chegarmos a ser lidos, o nosso interlocutor já só encontra esqueletos frios de um caminho que para nós teve o calor do momento em que nos deu a febre nos dedos. É assim como se houvesse leitores de jornais diários que só lessem de mês a mês. Ou se um leitor de semanários quisesse ter leitura diária. Conclusão: os nossos ritmos dependem daqueles com quem queremos falar. Não dependem só da nossa vontade de falar. Porque não distinguir uma blogosfera "rápida" (fervente, talvez mais tecnológica, talvez mais sofisticada) e uma blogosfera "lenta" (de círculos assumidamente mais restritos, com temas menos populares, mais intimistas ou minoritários)? Fará sentido. Eu, por mim, sigo na faixa da direita... Embora por vezes dê a ideia de que há forças objectivas que parecem tender a centrifugar a blogosfera. (By the way: eu disse "forças objectivas", não disse "teorias da conspiração"...)
Publicado por Porfírio Silva em 07:14 PM | Comentários (0)

dezembro 14, 2003

Aveiro

Estou contente de poder "ver" a Aveiro-real através dos olhos da blogosfera. Através de uns olhos atentos que estão em o lado esquerdo. Uns olhos que me parece continuam críticos, mas que me parece que não se tornaram amargos. Em o lado esquerdo lê-se, como se fosse um estatuto editorial: "O que se vê de Aveiro, do mesmo modo se vê dos outros lugares. Tentamos ler e escrever do nosso ponto de vista. Tanto pode ser diferente como igual ao ponto de vista dos outros, quem quer que sejam. Não lutamos pela diferença nem pela igualdade na escrita. Interessam-nos outras igualdades e respeitamos muitas diferenças, mas nem todas." Sábio, o Arsélio. É assim que me lembro dele. Há tanto tempo... Atenção: aquilo não é "o farol da barra". Vêem-se, a partir dali, coisas que interessam a todas as paragens. Visite-se.
Publicado por Porfírio Silva em 04:49 PM | Comentários (0)

dezembro 16, 2003

Um murro no estômago

Depois de almoço, antes de recomeçar a trabalhar, dou uma voltinha pela blogosfera. Bendita sorte: apanhei um murro no estômago! O Cidadão do Mundo publicou, já há alguns dias, uma entrada intitulada O paradoxo de Zenon , que é preciso ler. Ele garante que a história é verdadeira. E se não for, isso que interessa? Há outras como essa que são verdadeiras, podem estar certos. E bom Natal, sim !?
Publicado por Porfírio Silva em 02:50 PM | Comentários (1)

dezembro 17, 2003

Terrorismo na blogosfera

O E Deus tornou-se visivel publica uma nota com o título Grandes males... que, com uma vénia, nos permitimos reproduzir: "Retirei a possibilidade de comentar este blog. Graças a um senhor que é fruto de uma educação cada vez mais em voga nesta sociedade. Que lhe faça bom proveito e que tenha bastante sucesso na sociedade que está a ajudar a desenvolver. E que o feitiço não se volte..." . É o terrorismo na blogosfera? E como nos defendemos? Não conheço o caso em concreto, mas há uma variante que parece menos violenta mas é igualmente destrutiva: leitores tão "simpáticos" que querem ficar eternamente a dialogar connosco, como se eles fossem a nossa única vida e tivéssemos todo o tempo do mundo para eles. Nós, aqui, até ao momento não temos razões de queixa. Mas temos visto isso acontecer por aí, noutros blogues. Eu, pessoalmente, não posso afirmar que esteja certo de nunca ser incomodativo para outros. É que é difícil "afinar" a comunicação apenas por esta via tecnológica. O que diria disso o-teste-de-Turing?
Publicado por Porfírio Silva em 02:11 PM | Comentários (1)

Como é difícil a Glória Fácil

Meu caro João Pedro: podes não acreditar, mas eu não tinha chegado a saber que, no já longínquo 24 de Outubro (do corrente ano, vá lá) tu, no vosso Glória Fácil..., tinhas feito tão simpática referência (aqui) à minha humilde pessoa e a este blogue que aqui corre. E eu que até te leio! Mas nessa altura eu estava ainda pior do que estou hoje quanto a desembaraçar-me com os aspectos técnicos desta coisa. Que selva ! Tu só me vês de dois em dois anos, mas eu leio-te todos os dias: em papel e/ou nas estrelas. Embora por vezes para discordar (ou até para me rir à socapa a pensar na tua cara a escrever certas coisas sobre certos "companheiros"), fazes parte dos que escrevem com a cabeça (e não com os pés) e pensam com as mãos (fazem coisas, não se limitam a idealizá-las). Aparece.
Publicado por Porfírio Silva em 04:55 PM | Comentários (0)

Natal na blogosfera

Alguém aí pode informar entre que dia e que dia fecha a blogosfera por ocasião do Natal? E por ocasião do balanço anual? E o horário diário continua a ser o mesmo?
Publicado por Porfírio Silva em 07:54 PM | Comentários (1)

dezembro 20, 2003

Crónicas das traseiras da blogosfera

Ontem, ao jantar, vários amigos me perguntaram duas coisas sobre a blogosfera. Primeiro. Porque é que há pessoas que têm blogues? Respondi: pelas mais diversas razões, não vejo padrão nenhum. Continuo satisfeito com essa resposta. Segundo. Porque é que eu tenho um blogue? Dei várias respostas, todas me continuam a parecer "correctinhas", mas sinto que não eram "a minha resposta". A minha resposta talvez seja: tenho um blogue porque aqui aparecem juntos, e não espartilhados, vários dos meus interesses. Por exemplo: na vida institucional, a minha investigação em filosofia das ciências não tem nada a ver com a minha poesia. No blogue, tem. Acho que é por isso. É também por essa razão que o meu blogue não é redundante em relação a mim.
Publicado por Porfírio Silva em 12:36 PM | Comentários (0)

dezembro 21, 2003

Foi virtual, o jantar?

O meu amigo Absorto jantou. Eu também. Falámos durante esse jantar. O que supõe (bem) que jantámos o mesmo jantar. Fora da blogosfera. Para quando jantarmos um mesmo jantar dentro da blogosfera? Não sejamos nós o repasto da blogosfera, coisa que alguns já temem.
Publicado por Porfírio Silva em 07:09 PM | Comentários (0)

dezembro 26, 2003

O teste de Turing e a blogosfera

Numa entrada que aqui publiquei a 17 de Dezembro p.p., reflectia brevemente sobre as relações na blogosfera a partir de um caso concreto mencionado por outro blogue. Essa entrada terminava assim: "Eu, pessoalmente, não posso afirmar que esteja certo de nunca ser incomodativo para outros [na blogosfera]. É que é difícil "afinar" a comunicação apenas por esta via tecnológica. O que diria disso o o-teste-de-Turing?" A 23 de Dezembro, o-teste-de-Turing publica uma entrada intitulada As Pazes da Quadra, que começa assim: "A pergunta que me fiz ao ler o texto do Porfirio Silva foi: este homem não está bom da cabeça... Então porque diabo havia eu de ficar de alguma forma chateado por causa da alguém querer homenagear a genialidade de Turing escrevendo sob a sua sombra? Força para a máquina." Eu, pelo meu lado, não esperava uma confirmação tão célere dos equívocos que pode gerar a comunicação na blogosfera. Vejamos. Eu limitei-me a colocar uma questão séria (é difícil afinar a comunicação humana apenas por uma via de intermediação tecnológica), a relacionar isso com um importante e clássico debate em filosofia da mente e em ciências cognitivas (qual é o significado do chamado teste de Turing) e a sugerir a um blogue com um nome sugestivo (o-teste-de-Turing, pois claro) que dissesse qualquer coisa sobre isso. Tudo o resto são fantasmas. A não ser que o-teste-de-Turing não leve nada a sério o seu nome... ou pelo menos não o leve tão a sério como eu o levei.
Para não ser muito longo, uso a apresentação simplificada que Simon Blackburn dá (no seu Dicionário de Filosofia, na Gradiva) do "jogo da imitação" proposto por Alan Turing em 1950, "para decidir se uma máquina faz uma simulação adequada da mente humana": "Uma pessoa e uma máquina comunicam com uma pessoa que faz perguntas, separada delas. Esta pessoa pode fazer perguntas com o intuito de distinguir o ser humano da máquina. A máquina passa o teste, ou ganha o jogo, se após um certo intervalo de tempo a pessoa que faz perguntas não conseguir distinguir a máquina do ser humano." Aspecto crucial da versão tradicional do teste de Turing é que o humano que faz as perguntas não pode ver nem o outro humano nem o computador, sendo que a comunicação é mediada por algo como terminais de computador que eliminem do jogo o factor fisionomia e tudo o que ela permite (o que facilmente desmascararia o computador como não humano). Desenvolvimento curioso foi a proposta de Harnad para um "teste de Turing total", envolvendo robots (com corpo, portanto) e em que os humanos teriam direito a ver o computador (o robot), fazendo com que forma e função fossem avaliados conjuntamente. Reflectindo apenas um pouco, vê-se que isto pode ajudar-nos a questionar a comunicação entre humanos mediada pelo computador, como acontece na blogosfera.
Pergunto eu a o-teste-de-Turing: o facto de eu lhe sugerir uma reflexão nesta linha será suficiente para o autorizar a dizer que eu não estou bom da cabeça? Uma coisa é clara: não me atrevo sequer a imaginar que os editores de um blogue chamado o-teste-de-Turing não saibam o que é o teste de Turing e tenha sido por isso que não compreenderam o meu convite (que eu pretendia fosse amável). Isso seria absurdo e eu não acredito em coisas absurdas. Ou será que eles são "apenas" um computador e eu não percebi?
Ah, já me esquecia: pode o caro o-teste-de-Turing estar descansado - eu não tenciono pedir-lhe autorização para "escrever sob a sombra de Turing". Está dispensado de gastar o seu tempo a dar-me "autorizações" que eu não lhe pedi. É claro que, se pelo contrário preferir deixar as pequenas alfinetadas e responder seriamente ao desafio de reflexão que com seriedade e cordialidade lhe lancei, será benvindo. Estamos sempre a tempo de não desperdiçar uma boa oportunidade de pensar em conjunto, não lhe parece?
Publicado por Porfírio Silva em 08:19 PM | Comentários (0)

dezembro 30, 2003

O teste de Turing e a blogosfera (again)

Relacionado com o assunto da minha entrada anterior (de 26 de Dezembro), recebi do humano que mexe os cordelinhos de NoseOfZeus, que escreve em o-teste-de-Turing, uma mensagem personalizada. Dela se retira, essencialmente, o que segue. (1) Ele não teve intenção de me ofender com o seu texto. Não me custa nada a acreditar nisso. Está explicado. (2) Ele não tinha entendido a minha intenção naquela entrada em que pela primeira vez o menciono. Ele acha que a minha questão não aparecia com grande clareza. Eu admito isso perfeitamente. Aliás, o meu jogo era mesmo arriscar que o editor de o-teste-de-Turing seria (quase) o único a entender esse ponto da minha entrada. Parece que exagerei na obscuridade. (3) Ele identifica uma provocação minha quando eu "estudo" a hipótese de que ele não saiba o que é o teste de Turing. É claro que é uma provocação. Aliás, um pequeno exercício de retórica suavemente polemizante. (4) Ele põe a hipótese de que este mal entendido prejudique a nossa comunicação no futuro. Discordo: não há razão nenhuma para isso. (5) Ele diz, e bem, que este "incidente" podia servir de "case study" para certas realidades da blogosfera. Claro. Alguém quer acrescentar alguma coisa?
Publicado por Porfírio Silva em 04:27 PM | Comentários (0)

Anything goes

Que leitura fazer do facto de Vital Moreira inserir com destaque na sua coluna no quotidiano O Público o endereço do blogue de que é co-autor? Já agora: que leitura fazer de terem aparecido os anúncios na plataforma portuguesa de weblogs? "Isto" está a evoluir ou apenas estamos todos a perder a vergonha (tão depressa) ? Inveja, não tenho: tenho a sensação de que vale tudo na luta por qualquer tipo de audiência, tenho a ideia de que há uma generalização do "abuso de posição dominante".
Publicado por Porfírio Silva em 05:10 PM | Comentários (0)

janeiro 09, 2004

Convite para uma reflexão: retórica e blogosfera

Numa entrada minha anterior ("O véu, Vital e as coisas concretas que fazem a beleza dos caminhos", de ontem), escrevi que "não é muito pertinente avançar para mim com o argumento dos erros do anticlericalismo" e "se me conhecesse, um homem da elevada estatura moral e intelectual de VM far-me-ia a justiça de reconhecer isso". A propósito disso, a leitora M.M. escreve-me que "o interesse destes debates é também poder dizer-se o que se pensa usando os argumentos que se consideram pertinentes (no caso de VM, o anticlericalismo), porque não se conhecem os destinatários". Essa ideia de M.M. parece-me muito estimulante. O que eu sei de retórica é muito superficial. Talvez por isso, fiquei surpreendido com essa ideia de haver vantagem em não conhecer o interlocutor num debate.
Normalmente, uma preocupação de "retórica espontânea dos cientistas" (para parafrasear o outro) inclina-nos para sopesar as condições de recepção do discurso - e, por isso, tentar compreender o auditor e/ou o interlocutor. Num debate numa sala, o desconhecimento do público normalmente não é absoluto e tenho tendência a saber bastante acerca dos demais coloquiantes. Na "web clássica" não há em geral um interlocutor individualizado, mesmo que haja um "público-alvo". Na blogosfera, há "público genérico" da internet; há por vezes um interlocutor individual que se conhece; outras vezes temos um interlocutor individual que não conhecemos. Isto põe questões. Por exemplo: qual o estatuto dos argumentos ad hominem na blogosfera? Serão afectados pela especificidade do meio?
Será que o humano ao leme do Retórica e Persuasão poderá dizer alguma coisa que nos ilumine sobre isto?
Publicado por Porfírio Silva em 10:47 AM | Comentários (1)

janeiro 11, 2004

(Des)encontrei-me

O C'est la vie está escrito em português do Brasil. Vá lá saber-se porquê, descobriu-me e postou desta maneira e eu fiquei surpreendido. Porquê? Porque já não me lembrava de ter escrito aquilo. Como é estranho este mundo: comecei este blogue há meia dúzia de dias (por assim dizer) e posso confessar que muito do que aqui se passa já me foge ao controlo. E agora verifico que, de repente, a memória já nos atraiçoa. Será que isto é um blogue colectivo e eu nunca dei conta? Obrigado pela lembrança, C'est la vie.
Publicado por Porfírio Silva em 09:15 PM | Comentários (1)

janeiro 16, 2004

Cruzamentos

Ainda estou para ver onde isto vai ter. "Isto" é: o mega-blogue abrupto anda agora a explorar a ideia de os Cadernos de Camus serem uma espécie de proto-blogue; o quase-clandestino absorto há algum tempo que andava já a calcorrear levemente esses caminhos. Estou curioso porque o absorto é retintamente amante da sombra: parece que nunca se deu a conhecer, não é assinado nem pseudonimado,... Terá o absorto soprado a coisa ao abrupto? Bom - e isso que interessa?!
Publicado por Porfírio Silva em 05:44 PM | Comentários (1)

junho 07, 2004

"Arqueologia pessoal"

Arquelogia pessoal é o título do texto com que começo hoje uma participação (como convidado) nas edições de segunda-feira do blogue colectivo Terra da Alegria. Clicando na imagem chega-se lá.


Publicado por Porfírio Silva em 11:13 AM | Comentários (0)

junho 18, 2004

E assim se vai No Mundo

Por uma questão de disciplina tenho evitado ao máximo "poluir" as séries que aqui temos publicado (máquinas de Turing e robots) com entradas mais casuais. É que o material que está a sair é um tanto ou quanto "pesado" - de ler, bem sei, mas também de escrever. Mas hoje interrompo aqui esse jejum para levantar o meu chapéu em saudação ao No Mundo. Faço isso por duas razões principais.
Por um lado, porque na entrada intitulada Viva Espanha! ou A Cobardia, Carlos Miguel Fernandes escreve, referindo-se a esta Máquina de Turing, esta coisa simpática: Um dos blogues que mais tenho visitado nas últimas semanas entrou em velocidade de cruzeiro com a História da Máquina de Turing. Vale pena ler, com tempo, paciência e abertura de espírito. São trabalhos como o do Porfírio Silva que nos fazem continuar, e ignorar o lado negro da blogosfera. Caramba, um tipo até cora!
Por outro lado, porque, lendo o No Mundo e outros blogues que por aí andam, que mostram uma ligação muito interessante entre temas "de sociedade" e temas "de ciência", dá-me cada vez mais vontade de avançar para uma espécie de embrião de uma ideia que foi proposta há tempos aqui neste espaço. Na entrada Blogues de ciência e filosofia, de 25 de Maio passado, escrevia eu: Em geral este tipo de blogues não edita à velocidade dos "blogues políticos", por exemplo. Et pour cause: há por aqui entradas que dão trabalho a ler, há por aqui muito material que ultrapassa a espuma dos dias. Material que, por vezes, é pena que desapareça nos idos do enrolamento de um blogue. Não seria possível e útil criar um "círculo" de blogues que se interessam seriamente pela ciência, filosofia da ciência e sociologia da ciência? Ninguém (quase ninguém...) ligou muito a essa minha jogada. Mas não vou desistir. Quando acabar esta empreitada do RoboCup, vou começar a mencionar sistematicamente, com um intuito que a prazo se revelará organizador, posts e debates e polémicas e informações e outras coisas mais que por aí andam na blogosfera acerca de ciência e filosofia. Numa óptica de filosofia da ciência. Quem sabe se isso não poderá originar qualquer coisa de interessante! Sonhar não custa (ou por outra: custa mas autofinancia-se...).
Publicado por Porfírio Silva em 02:44 PM | Comentários (6)